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Festa de São Benedito (Foto: Divulgação)
Postado em 23/10/2023 - 5:31
A TERRA DÁ, A TERRA QUER
O padroeiro dos cozinheiros, a arte marajoara, Frans Krajcberg, a sumaúma e Milton Santos unem-se pela e para a terra em pesquisas do Itaú Cultural
Milton Santos (Foto: Divulgação)

OCUPAÇÃO MILTON SANTOS
O geógrafo Milton Santos (1926-2001) define “espaço” como a junção de vários fatores culturais, econômicos e históricos. Ele dedica aulas ao termo, que engloba presente e passado sobrepostos. Seu legado mostra como a geografia é fundamental para falar de onde vivemos, pois ela explica como vivemos. Nessa discussão, as cidades são o centro de suas principais teses, mostrando como a segregação e o racismo fazem parte do cotidiano das periferias.

Nascido em Brotas de Macaúbas, em 1926, Milton Santos é o homenageado desta 59a Ocupação Itaú Cultural [em cartaz até 8/11 na sede da fundação em São Paulo], que acontece graças às atividades do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP). Com apresentação de seus livros e da sua trajetória, a mostra traz mais de 150 itens, entre documentos e fotografias, além de depoimentos de familiares, antigos alunos e profissionais próximos do seu trabalho.

Milton Santos renovou o pensamento da geografia, engajado em debates sobre política e educação por meio dos jornais. Intelectual público negro, e consciente do que isso implica no Brasil, discutiu práticas de movimentos sociais e, nas suas palavras, a “questão racial”. Hoje, dois anos após sua morte, suas ideias circulam na academia e fora dela, reverberadas por intelectuais, artistas e ativistas.

Exilado por 14 anos durante a ditadura militar brasileira, Milton Santos lecionou em várias universidades francesas, viajando também a países como Estados Unidos, Canadá e Tanzânia. Na América Latina, trabalhou alguns anos na Venezuela, antes de retornar ao Brasil, em 1976. Três anos depois, publica O Espaço Dividido, sobre os processos de urbanização das cidades do “Terceiro Mundo”. Esta Ocupação percorre todas essas facetas de Santos e mostra como a geografia é fundamental para falar de onde vivemos, pois ela explica quem somos.

TÁ NO AR, PRODUÇÃO!
É com a força da natureza e da ancestralidade que duas vozes, Leila Ione, da Cozinha Ancestral de São Luís, no Maranhão, e Clarinda Maria, da Casa de Comida Biatuwi de Manaus, no Amazonas, compartilham “até o tucupi” no podcast do Itaú Cultural. Elas falam da gastronomia e de suas experiências de produção, administração, tempo de colheita e preparo, trajetória do alimento, cosmogonia, afetos, mistérios e ancestralidades. Abordam também a sumaúma, conhecida como a mãe das árvores, da vida ou escada do céu da Amazônia. A sumaúma colossal retira água das profundezas da terra para si e para outras ao seu redor. Alguns povos originários batem em seu tronco para o som ressoar na floresta como forma de comunicação.

VERBETES

 

Arte Marajoara (Foto: Divulgação)

ARTE MARAJOARA
A arte marajoara representa a produção artística, sobretudo em cerâmica, dos habitantes da Ilha de Marajó, no Pará, considerada a mais antiga arte cerâmica do Brasil e uma das mais antigas das Américas. Com uma ampla e sofisticada quantidade de objetos rituais, utilitários e decorativos produzidos por antigos ocupantes da Ilha de Marajó, na época em que se formam os grandes cacicados, são confeccionados potes, vasilhas, urnas funerárias, tangas (ou tapa-sexos), chocalhos, estatuetas, bancos etc., que podem ser acromáticos ou cromáticos e zoomorfizados ou antropomorfizados.

(Foto: Divulgação)

FRANS KRAJCBERG
Nasceu em Kozienice, na Polônia, em 1921. Escultor, pintor, gravador e fotógrafo, tem como característica a exploração de elementos da natureza em suas obras; destaca-se pelo ativismo ecológico, que associa arte e defesa do meio ambiente. A paisagem brasileira, em especial a floresta amazônica, marca toda a sua obra. Morreu em 2017, no Rio de Janeiro.

FESTA DE SÃO BENEDITO
Celebração popular de devoção a São Benedito (1524-1589), santo católico também conhecido como “o santo negro”, padroeiro dos cozinheiros e protetor dos escravizados. Ocorre em todas as regiões do Brasil, misturando elementos das tradições ibérica e africana. Atribui-se a ele o chamado “milagre das flores”, associado à fartura milagrosa e baseado no episódio em que enche uma cesta com alimentos da cozinha onde trabalha e leva clandestinamente aos escravizados, transformando a comida num ramalhete de rosas para enganar os soldados que tentam interceptá-lo.