Ao longo de cem anos, desde que foi cunhado, em 1866, para designar relações e reciprocidades entre organismos e meio ambiente, o termo ecologia ficou restrito ao campo das ciências naturais. Rapidamente, com o colapso ambiental global anunciado já na década de 1960, a ecologia torna-se não só o estudo do impacto humano – colonialista, extrativista, capitalista e antropocêntrico – nos ecossistemas, na geografia e no clima, mas também um lugar político e de ação.
Os sentidos relacionais entre as palavras oikos – do grego casa, lar, ambiente – e logos – estudo, tratado – foram ampliados. Os sentidos de ecologia do meio ambiente foram alargados para o âmbito das ideias, das relações sociais, da subjetividade, do território, da geopolítica, dos direitos à vida. É sobre isso que conversamos com Isabella Rjeille e André Mesquita, curadores da exposição Histórias da Ecologia, no Masp, que reúne obras que investigam redes de relações entre seres vivos e o mundo que habitam.
Poderíamos encontrar algumas dezenas de novos sentidos para a palavra ecologia nas cerca de 200 obras de artistas, ativistas e movimentos sociais de 22 países que coabitam cinco andares expositivos do Edifício Pietro Maria Bardi até 1º/2/2026. Mas escolhemos oito. Nesta entrevista visual, pedimos que Rjeille e Mesquita respondam, com a imagem de uma obra em exposição, como diferentes âmbitos da ecologia são abordados pela arte.
1 O local. Como questões tocantes ao corpo e à morada falam sobre habitar a terra e o cosmo?
Men’s Five Skins [As Cinco Peles Humanas], 1997, de Friedensreich Hundertwasser (Viena, 1928-2000, Queensland, Austrália)
Impressão digital sobre papel, 29,6 x 21 cm
Cortesia Hundertwasser Non-Profit Foundation, Viena

Sem Título, da série Taş Kabuk Sessiz [Concha de Pedra Silenciosa] [Silent Stone Shell], 2020-2023, de Ateş Alpar (Nusaybin, Turquia, 1988)
C-Print sobre papel, dimensões variadas
Crédito: Cortesia da artista
3 O biográfico. Conte uma história pessoal que também é global.
Landscape of the Body (Epilepsy Test) [Paisagem do Corpo (Teste de Epilepsia)], da série Landscape of the Body [Paisagem do Corpo], 2011, de LaToya Ruby Frazier (Braddock, Pensilvânia, EUA, 1982)
Ampliação em gelatina e prata, 78,5 × 117 cm (emoldurado)
Crédito: Cortesia da artista e Gladstone Gallery, Nova York
Murmúrio-motim, 2020, de Luana Vitra (Belo Horizonte, Brasil, 1995)
Ferro, madeira, pedra de minério de ferro, arame, plástico, cobre, peso de ferro, tinta acrílica e borracha
Crédito: Cortesia da artista

4 O social. Como movimentos e formações coletivas contribuem para uma ecologia social?
Hi Red Center’s ‘Cleaning Event’ (officially known as ‘Be Clean!’ and ‘Campaign to Promote Cleanliness and Order in the Metropolitan Area’) [“Evento de Limpeza” do Hi Red Center (oficialmente conhecido como “Fique Limpo!” e “Campanha para promover a limpeza e a ordem na área metropolitana”)], 1964, de Minoru Hirata (Tóquio, 1930-2018)
Ampliação em gelatina e prata, 22 × 33,5 cm
Cortesia Taka Ishii Gallery Photography/Film, Tóquio
5 O interespécies. Como fortalecer laços entre humanos e mais que humanos?
Panther [Pantera], 2022, de Ad Minoliti (Buenos Aires, Argentina, 1980)
Acrílica e impressão sobre tela [Acrylic and print on canvas], 100 x 100 cm
Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Doação da Galerie Crèvecoeur e artista no contexto da exposição Histórias LGBTQIA+, 2024-2025

Doação da Galerie Crèvecoeur e artista no contexto da exposição Histórias LGBTQIA+, 2024-2025
HEXEN 5.0/Tarot, 2023-25, de Suzanne Treister (Londres, Reino Unido, 1958)
Impressão digital sobre papel, 8 de uma série de 78 trabalhos, 42 × 29,5 cm (cada)
Cortesia da artista, Annely Juda Fine Art, Londres, P.P.O.W. Gallery, Nova York e The Ryder Projects, Madri
7 O geológico. Que era inicia depois do Antropoceno?
And time stood still until it disappeared [E o tempo parou até desaparecer], 2024, de Þorgerður Ólafsdóttir (Reykjavík, Islândia, 1985)
Impressão sobre tecido de poliéster
Coleção da artista

Txaísmo, 2019, de Jaider Esbell (Normandia, Brasil, 1979-2021)
Tinta de marcador permanente e lápis de cor sobre algodão
Cortesia: Galeria Jaider Esbell, Boa Vista, Brasil