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(Foto: DIvulgação)
Postado em 06/02/2023 - 4:38
ANCESTRALIDADES
Verbetes da Enciclopédia Itaú Cultural e projetos recém-inaugurados pelo instituto sublinham as heranças de comunidades indígenas originárias que artistas, brincantes e ativistas celebram em suas práticas atuais

PROJETOS

 

NAINE TERENA
Doutora em educação e membro da nação Terena, Naine Terena é a nova colunista do Itaú Cultural e vem levantando debates urgentes que tocam em pontos nevrálgicos. Sem dar respostas, sustentando perguntas até o fim do artigo, Naine entrelaça saberes e convida o leitor para partilhar da reflexão. São quatro os artigos publicados até o momento: Economia Indígena, que expõe as relações econômicas entre cultura dominante e indígenas; As Mulheres Que Sabem Demais, que trata de questões próprias do feminismo indígena; Entrelaçando Saberes e Memórias Durante a Pandemia, que levanta as estratégias de sobrevivência e, em sua última coluna, Eu Estava Aqui o Tempo Todo, Só Você Não Viu – A Arte Brasileira Feita por Indígenas, que discute a imagem do “índio didático”, aquele retratado por tantos anos nos livros escolares, e a força e importância do ensino de artes na quebra desses paradigmas.

O SER AMAZÔNICO – ITAÚ CULTURAL PLAY
A plataforma de streaming do Itaú Cultural foi lançada trazendo um catálogo com 135 títulos, que abrangem produções de 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A mostra permanente O Ser Amazônico, faz um amplo e profundo recorte da produção recente de todos os estados do Norte do país. A seleção de filmes é do Matapi – Mercado Audiovisual do Norte, articulação dedicada ao desenvolvimento do audiovisual amazônico. Para Ter Onde Ir, de Jorane Castro, é um dos destaques da mostra e primeiro longa-metragem feito no Pará em 40 anos. O encontro entre três mulheres é o ponto de partida para uma narrativa sensorial que incorpora a paisagem amazônica ao drama das personagens deste road-movie amazonense: Eva, uma comandante de navio, Melina que vive entre baladas e amores incertos, e Keithy, uma ex-cantora de tecnobrega que mora numa casa de palafita. Prêmio de Melhor Direção e Atriz Coadjuvante no 40º Festival Guarnicê de Cinema, em 2016.

(Foto: DIvulgação)

VERBETES

ROSA GAUDITANO
Formada em jornalismo, Rosa Jandira Gauditano (São Paulo, SP, 1955) começa a fotografar profissionalmente em 1977, para o jornal Versus, e torna-se editora de fotografia do periódico. No início dos anos 1980, leciona fotojornalismo na PUC/SP, trabalha em publicações importantes e inicia a documentação de festas populares religiosas no Brasil. Em 1989, estabelece o seu primeiro contato com povos indígenas, em Altamira, no Pará, e, a partir de então, documenta comunidades de índios Karajás, Kayapós, Tucanos, Yanomâmis, Xavantes, Guaranis e Pankararus. Publica diversos livros de fotografia sobre o tema. Em 2004 e 2005, realiza, com apoio da Unesco, o projeto Nutrição Infantil para o Povo Xavante, focado nas mães de crianças de zero a 6 anos, criado a pedido dos anciãos da comunidade Wederã, da TI Pimentel Barbosa, MT, para diminuir a mortalidade infantil. Em seguida, desenvolve com os indígenas Xavante o Nossa Tribo, propondo uma ponte entre as aldeias e as cidades, com foco nas áreas de comunicação, fotografia e vídeo.

(Foto: Divulgação)

CHICO DA SILVA
Filho de indígena da Amazônia Peruana, Francisco Domingos da Silva (Alto Tejo, Acre, 1910 − Fortaleza, Ceará, 1985) foi pintor e desenhista. Começou a desenhar a carvão e giz sobre muros e paredes de casebres de pescadores por volta de 1937, em Fortaleza. Na década de 1940, sob o incentivo do crítico e pintor suíço Jean Pierre Chabloz, iniciou-se na pintura a guache e, juntamente com Chabloz, Antônio Bandeira e Inimá de Paula, expôs na Galeria Askanasy, RJ. Entre 1961 e 1963, trabalhou no recém-criado Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará. Em 1966, recebeu menção honrosa na Bienal de Veneza. Depois de quatro anos internado em um hospital psiquiátrico, voltou a pintar em 1981. Suas obras evocam o imaginário cosmogônico indígena tanto pelos temas relacionados à floresta e seus seres míticos quanto pela fatura de repetição de gestos e cores cobrindo toda a tela.

(Foto: Divulgação)

CURURU
Folguedo popular encontrado, predominantemente, nas regiões rurais do Centro-Oeste e parte do Sudeste do Brasil. (…) Há pesquisas acadêmicas que demonstram que a origem da dança, e de sua nomenclatura, encontra-se na etimologia do tronco linguístico tupi-guarani e em rituais indígenas anteriores à colonização europeia. Nas línguas tupis, o vocábulo cururu significa sapo ou sapo grande, o que explica uma dança cuja coreografia mimetiza o movimento do pulo do sapo. (…) No ano de 2004, é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial Brasileiro. (…) Os cururueiros iniciam a dança com uma louvação ao santo homenageado, ajoelhando-se diante da imagem ou do altar. Em seguida, a dança acontece com o grupo de homens organizado em círculo, que gira sempre no sentido horário, acompanhando a direção do braço das violas de Coco.

(Foto: Francisco Moreira da Costa / IPHAN)