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Postado em 15/01/2026 - 4:49
Celeste seleciona
Livros que a redação da celeste quer que você conheça

CLAUDIA ANDUJAR: COSMOVISÃO

Eder Chiodetto (org.), Itaú Cultural

Apesar dos muitos exemplos de catálogos que expandem as exposições de origem e convenções de publicação, ainda soa injusto chamar este exemplar de catálogo. Isso porque, mais que adaptar as obras ao formato impresso, as amplia em exibição e organização que potencializam a força de cada imagem realizada pela grande fotógrafa Claudia Andujar. Experimentações formais incluem até interações com as cores das obras através de folhas de vinil. A experiência visual resultante absorve e comove. Com design de Milly Mabe, traz a obra de Andujar organizada por Eder Chiodetto, fotografada por Ana Pigosso e acompanhada de textos inéditos.

O Sentido das Águas – Histórias do Rio Negro

Drauzio Varella, Companhia das Letras, 304 págs., R$ 79,90

Durante 30 anos, o oncologista, cientista e escritor Drauzio Varella percorreu extensivamente o Rio Negro, ao lado de equipes de pesquisadores, para estudar as propriedades medicinais de plantas amazônicas. Seu caderno de viagens ao longo das expedições no grande afluente do Amazonas – que se estende por quase 2.200 quilômetros no território brasileiro, transformou-se no livro O Sentido das Águas. A obra reflete seu encantamento ao observar múltiplas paisagens, vozes e cores que cobrem a bacia e seu organismo vivo, em uma narrativa que reúne histórias e diálogos com a natureza e residentes das margens do rio.

Zanele Muholi: Beleza Valente

Org. Daniele Queiroz, Thyago Nogueira, Ana Paula Vitorio, IMS, 256 págs., R$150

Uma publicação que valoriza a imagem. O catálogo Beleza Valente registra a primeira exposição antológica de Zanele Muholi no Brasil, em cartaz no IMS, em São Paulo. Organizado em séries de fotografias em construção, que refletem a luta pelos direitos da população negra e LGBTQIAP+ na África do Sul, o livro reúne 108 fotografias de Muholi. Além de textos de All Ice, Ana Paula Vitorio, Bárbara Copque, Busi Sigasa, Castiel Vitorino Brasileiro, Daniele Queiroz, floresta, M. Neelia Jayawardane e Thyago Nogueira.

Arquipélago Imaginário, Luiz Braga

Bitu Cassundé e Maria Luiza Meneses (orgs.), IMS, 264 págs., R$ 150

A exposição de Luiz Braga no IMS é, como conta Dorrit Harazim neste catálogo, uma “tarefa forçosamente minimal”. Afinal, são 50 anos de trabalho distribuídos em mais de 500 mil fotogramas. A curadoria consegue pescar aquilo que surpreende na obra do paraense: as texturas ricas e os jogos entre fotografado, entorno e câmera em suas fotos P&B; as cores quase impossíveis de seus trabalhos posteriores; uma intimidade vulnerável do sujeito; uma poesia visual própria. E organiza acidentalmente um interessante movimento: parte de um mundo P&B habitado quase exclusivamente por homens para um mundo colorido em que mulheres aparecem quase sempre sorridentes ou de costas. O feminino infiltra-se nas fotos do outro lado: através de um não dito presente no olhar do fotógrafo.

Entre Silêncio, Palavra e Delírio

Natalie Salazar, Editora & Galeria Degustar, 384 págs., R$ 180

Não se assuste ao abrir este livro de artista em alguma página aleatória para descobrir que ela está em branco. Nele, essa não é uma exceção: é regra. Uma escolha que pode parecer artifício, mas se justifica pela surpresa de encontrar algo na página: uma série de pequenas fotos ou escritos em canto de página discretos como sussurros. A artista estuda sua história familiar em vestígios deixados pelos avós, em objetos arquivísticos e no silêncio sobre o passado, marcado pela Segunda Guerra Mundial. A organização da curadora Galciani Neves dita um ritmo de leitura no qual respeitar o vazio é mandatório. Já o projeto gráfico de Fernanda Porto torna este livro-objeto coeso: a ausência de lombada e o título em baixo-relevo mantêm a discrição, e a continuidade entre capa e conteúdo remete ao silêncio e ao mistério interiores.

Encontro-Confronto: Hélio Oiticica e Waldemar Cordeiro

Max Perlingeiro (org.), Edições Pinakotheke, 192 págs., R$ 150

Esta publicação, adjacente à exposição homônima na Pinakotheke São Paulo, é um exemplo de como o catálogo expande caminhos e reflete sobre o conhecimento formal gerado pela organização de obras. Abre com textos dos curadores Max Perlingeiro, diretor da Pinakotheke, e Paulo Venancio Filho e Luciano Figueiredo, pesquisadores, e também com um texto para o centenário do nascimento de Waldemar Cordeiro por sua filha, Analivia. Reproduzindo as obras em impressão generosa, ainda republica textos seminais como Esquema Geral da Nova Objetividade, de Oiticica, e texto de Cordeiro sobre exposição do Grupo Ruptura no Museu de Arte Moderna. 

Rodrigo Sassi

Rodrigo Sassi e Pollyana Quintella (org.), Central Galeria e WMF Martins Fontes, 192 págs., R$ 200

Em um dos textos que acompanham esta retrospectiva de 12 anos de trabalho de Sassi, o curador e professor da FAU-USP Agnaldo Farias escreve: “Enquanto grafiteiros migraram para o mercado de arte e passaram a receber encomendas, os pichadores continuaram recebendo porrada da polícia”. O trabalho de Sassi, que começou mais próximo do picho do que do grafite, entrou no mercado de arte, mas não perdeu sua relação disruptiva com a construção da cidade e sua arquitetura. Os textos inéditos de Farias, Pollyana Quintella, Ana Avelar, Cauê Alves, Francesca Hughes e Leandro Muniz operam discussão rigorosa do corpo da obra do artista, com projeto gráfico robusto da Casa Rex.  

Ao Lado de Lina

Marcelo Ferraz, WMF Martins Fontes, 304 págs., R$ 94,90

Neste ano, falou-se extensivamente de Lina Bo Bardi. O Masp apresentou-a interpretada por Fernandas mãe e filha em videoinstalação de Isaac Julien; o novo edifício do museu e a concessão do Vão retomaram discussões sobre seu icônico projeto; Antoni Muntadas no Sesc Pompeia faz referência ao projeto da arquiteta, e assim por diante. Daí que o primeiro relato do livro, escrito em 1992 (ano de sua morte), nos pareça distante: fala do fim dos anos 1970, quando a arquiteta era considerada desimportante, problemática ou até fascista. Os 15 anos de trabalho e amizade entre Lina e Marcelo estão aqui compilados em fotos e textos independentes, marcados em igual medida por afeto e objetividade. O resultado é o estudo de uma obra brilhante e uma tocante homenagem. Inclui também duas entrevistas: de Marcelo Ferraz por Marta Bogéa e Augusto Massi e de Lina Bo Bardi por Fábio Altman, inédita até então.

Sempre É Outra Superfície

Sandra Ling, Editora 7 Letras, 160 págs., R$ 170

Primeira incursão de Ling nos livros, a publicação une os delicados desenhos da artista porto-alegrense com seus poemas, divididos em sessões atmosféricas de estações do ano, águas e seiva. Em fundo branco, os traços abertos, rabiscados e cheios de volição gestual juntam-se com as palavras delicadas, porém melancólicas. Como um diário ensaístico, as faltas e desejos potentes são trabalhados com grande delicadeza.

ESPECTRA

Marcos Bonisson, org. Ana Paula Albé, Piscina Pública Edições, 80 págs., R$ 170,00

Reunindo três séries inéditas de fotografias de Marcos Bonisson Kinolooks, A Presença Vermelha e East Village Portraits – Espectra propõe uma leitura intersticial da trajetória do artista. Revelando conexões sutis de sua deriva urbana, o livro traz imagens de Nova York, retratos do East Village e a alegoria d’A Presença Vermelha, criada nos anos 1970 com Cazuza e Carla Mourão. A entrevista conduzida por Cristina Zarur e a editora Ana Paula Albé enriquece a publicação com reflexões sobre o percurso artistico, referências e amizades com Hélio Oiticica, Rogério Sganzerla e Artur Barrio.

Onde Há Fumaça: Arte e Emergência Climática

Paula Lobato e Grupo Micrópolis (orgs.), 257 págs., disponível online

Formado por Felipe Carnevalli, Marcela Rosenburg e Vítor Lagoeiro, o grupo mineiro Micrópolis realiza a primeira curadoria externa no Museu do Ipiranga desde a sua reabertura em 2022. Artistas, pesquisadores e ativistas criam diálogos com o acervo histórico acerca das consequências sociais e ambientais das mudanças climáticas, além de elaborarem uma ácida crítica imagética das relações entre agentes devastadores, como o agronegócio, e as imagens mitológicas de formação do país. Nem tudo é fogo: narrativas resistentes, sobretudo originárias, mantêm a esperança acesa. O catálogo digital e gratuito está disponível em museudoipiranga.org.br.

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