A 78ª edição da Bienal do Whitney, primeira a ser realizada no novo edifício do museu no bairro Meatpacking de Nova York, chega em meio a um contexto particular. Enquanto os Estados Unidos passam por tensões políticas e sociais, 63 artistas ocupam dois andares com trabalhos que refletem esse cenário.
A exposição, com curadoria de Christopher Lew e Mia Locks, apresenta uma diversidade de linguagens, com uma grande participação de trabalhos audiovisuais. Inclusive, exibições de filmes estão programadas para ocorrer durante os finais de semanas. No entanto, independente do suporte ou do específico assunto, a turbulência da realidade americana mostra-se como incógnita.

Em particular, um trabalho ecoou para muito além do espaço expositivo, invadindo redes sociais e provavelmente algumas salas de jantar. Logo na abertura da mostra, o artista negro Parker Bright, de apenas 24 anos, postou-se diante da pintura Open Casket (2016), da artista branca Dana Schutz, vestindo uma camiseta estampada com a frase Black Death Spectacle (Espetáculo da morte de negros).
A pintura de Schutz, baseada em fotografias, mostra o rosto avariado de Emmett Till, um garoto negro de 14 anos que foi torturado e linchado por dois homens brancos em Mississippi, no ano de 1955, por supostamente haver flertado com a balconista branca Carolyn Bryant – quem recentemente admitiu ter prestado testemunho falso.

Segundo publicado em artigo do canal americano Artsy, Parker Bright acredita ser importante diferenciar a intenção curatorial de uma exposição e aquilo que o público percebe com ela. Diante disso, “Open Casket, de Dana Schutz, mostrando o rosto mutilado de Emmett Till, encontra-se em um espaço negativo que pode dar início a uma conversa mas não faz justiça, nem traz uma nova perspectiva a um problema que ainda permanece”. O artista segue realizando protestos, agora ao lado de outros, que pedem que a pintura seja retirada da Bienal.
Serviço
Whitney Biennial
Whitney Museum of American Art
99 Gansevoort Street – Nova York
Até 11/6
whitney.org/
