Em sua terceira incursão neste ano, a 3º Mostra Etnomídia Indígena – Festival de Impressos Indígenas chega a Brasília neste 20/8 trazendo um apanhado da produção gráfica autóctone, além de fomentar trocas e empreendedorismo com feira, debate e oficinas. Com motivos e traços tradicionais que diferem para cada etnia, a iconografia originária vem ganhando visibilidade e atraindo interesse no Brasil e exterior.

O evento tem via de mão dupla. Iniciando a programação paralela à exposição, já na abertura, às 19h, um bate-papo para o público em geral com Anapuaka Tupinambá (Rádio Yandê), Miguela Moura (artista visual) e a mediação de Gustavo Caboco aborda o cotidiano e os desafios dos realizadores indígenas no Brasil. Mas oficinas como Comunicação para Vendas e Posicionamento de Produtos Indígenas e Precificação de Obras Indígenas são olhares profissionalizantes cujo alvo são os criadores autóctones.
Caboco assina a curadoria da exposição ao lado da coordenadora geral do evento, Naine Terena. “Estamos contentes com os desdobramentos do Projeto, porque conseguimos reunir diversos profissionais com muitos perfis, tanto indígenas como não indígenas. Tivemos a possibilidade de ver o quanto podemos fortalecer as várias áreas de atuação indígena nas artes”, disse ela a celeste.

Daí a força do projeto, que começou este ano com edição entre 30/5 e 20/6 na paulistana Carmo Johnson Projects, galeria que representa Naine Terena. Entre 9/7 e 9/8, a Mostra passou pelo MAC-Bahia, em Salvador. Agora, é a vez da Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília (CAL-UnB) ver e pensar sobre a produção artística indígena.
A exposição
Em cartaz até 30/9, a exposição tem como eixo as obras de Isaías Miliano, artista das etnias Macuxi e Patamona. Ele faz o resgate pictórico de painéis rupestres milenares que estão no território brasileiro, muitas vezes correndo risco de desaparecer pela depredação e descaso público, criando pinturas, esculturas e tecidos de algodão que aliam elementos orgânicos tradicionais a suportes contemporâneos.
“Na Mostra, apresento os sítios da minha região como em um mapa protegido pelo Pajé Cara Branca. É uma forma de honrar os primeiros artistas que viveram aqui e deixaram esses painéis maravilhosos para os nossos jovens e para as futuras gerações, resgatando a preservação cultural antes que as invasões e o apagamento destruam essa memória”, diz Miliano.

Outro destaque, o painel Jegua Marangatu (Grafismo Sagrado), da dupla Guarani Miguela Moura e Edson Benites (Jepa Filho), foi criado a convite de Naine Terena e Gustavo Caboco para a mostra, que reúne ainda obras dos coletivos REMBYAPÓ (ES) e Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky (MT).
Complementando a programação fixa, a Livraria Maracá vende livros e materiais gráficos de artistas originários de todo o país. A expografia de Libério Uiagumeareu (do povo Boe Bororo), Naine Terena e Gustavo Caboco, adapta a planta do espaço para espelhar a organização social e geográfica de uma aldeia Boe Bororo. É o espaço Pa Muga, tradução física da cosmologia indígena.
Serviço:
3ª Mostra Etnomídia Indígena – Festival de Impressos Indígenas
Patrocínio: MinC e Petrobras
Casa da Cultura da América Latina da UnB
SCS Q. 4, SCS BL A, Lote 170, Asa Sul, Brasília, DF
20/8 a 30/9
