Fotogramas, fotomontagens, filmes experimentais e fotolivros que deram forma à “nova visão fotográfica”

Legenda: Recto/Verso #2 (1988), de Robert Heinecken. Silver dye bleach print, 8 5/8 x 7 7/8″ (21.9 x 20 cm). The Museum of Modern Art, New York. Mr. and Mrs. Clark Winter Fund © 2012 The Robert Heinecken Trust
O Museum of Modern Art inaugura na próxima quarta-feira, dia 18 de abril, a exposição The Shaping of New Visions: Photography, Film, Photobook, com mais de 250 trabalhos, feitos por cerca de 90 artistas, que pretende investigar como a linguagem e o suporte fotográficos foram subvertidos desde os experimentos das vanguardas do início do século 20.
A seleção da curadora Roxana Marcoci privilegiou novas aquisições do museu, além de projetos pioneiros por nomes como Man Ray, László Moholy-Nagy, Aleksandr Rodchenko, Germaine Krull, Dziga Vertov, Gerhard Rühm, Helen Levitt, Robert Frank, Daido Moriyama, Robert Heinecken, Edward Ruscha, Martha Rosler, Bernd e Hilla Becher, Philip-Lorca diCorcia, Paul Graham e The Atlas Group/Walid Raad.
Segundo informações no site da instituição nova-iorquina, este recorte da coleção do MoMA oferece “uma reavaliação crítica do papel da fotografia nos movimentos de vanguarda e neo-vanguarda, e no desenvolvimento das práticas artísticas contemporâneas”, elegendo, para tanto, a formação, na década de 1920, do que veio a ser conhecido como “nova visão” fotográfica.
A exposição começa com fotografias de Berenice Abbott, Edward Steichen e Alfred Stieglitz que capturam o nascimento da metrópole moderna do século 20, apresentadas ao lado do filme Manhatta (1921), colaboração entre Paul Strand e Charles Sheeler. Em seguida vêm trabalhos sintonizados com as marcantes descobertas científicas em torno da luz – da lâmpada incandescente à teoria da relatividade e da velocidade da luz -, como as “raiografias” de Man Ray, exibidas junto de seu primeiro curta experimental Le Retour à la Raison (Returno à Raznao, 1923), em que ele expandiu a técnica dos fotogramas para as imagens em movimento.
Neste grupo estão também as investigações de Lászlo Moholy-Nagy, que considerava a fotografia e o vídeo como a quintessência midiática do futuro. O artista realizou em 1930 seu único filme abstrato, A Lightplay: Black White Gray, que registrava os movimentos de objetos e luz no espaço de sua construção Light-Space Modulator. O filme é exibido ao lado de obras fotográficas de Moholy-Nagy e de Florence Henri.
Vanguardas européias – construtivismo e nova objetividade (Paul Citroën, Raoul Hausmann, Florence Henri, Germaine Krull, El Lissitzky, Albert Renger-Patzsch e August Sander), Aleksandr Rodchenko tratado como capítulo a parte, Dziga Vertov e seu kino-glaz (cine-eye), dadaísmo e surrealismo (Hans Bellmer, Claude Cahun, George Hugnet, André Kertész, Jan Lukas e Grete Stern) – e a nova topografia (Robert Adams, Bernd e Hilla Becher, Stephen Shore e Joel Sternfeld) tomam duas salas antes de se chegar à fotografia conceitual de Eleanor Antin, Mel Bochner, VALIE EXPORT, On Kawara, Gordon Matta- Clark, Martha Rosler e Sigmar Polke.

Legenda: Hands Up / Makeup, da série Bringing the War Home: House Beautiful (1967-1972), de Martha Rosler. Pigmented inkjet print, printed 2011, 23 3/4 x 13 15/16″ (60.4 x 35.4 cm). The Museum of Modern Art, New York. Purchase and The Modern Women’s Fund © 2012 Martha Rosler
A galeria final exibe instalações de uma geração mais jovem de artistas cujo trabalho se debruça sobre o papel da fotografia na construção da história contemporânea. “Valendo-se de formas de reconstituição de arquivos, The Atlas Group/Walid Raad é representado com My Neck Is Thinner Than a Hair: Engines (1996–2004), uma instalação de 100 imagens de explosões de carros-bomba em Beirute durante a guerra civil libanesa (1975 -1990) que provoca questões sobre a natureza factual de registros existentes, os vestígios da guerra, e os sintomas do trauma. Uma seleção de The American War (2005), de Harrell Fletcher, reúne imagens fotojornalísticas piratas do envolvimento militar dos EUA no Sudeste Asiático, mostrando nitidamente o papel da fotografia como um meio documental e propagandístico na formação da memória histórica. Panorama: World Economic Forum, Davos (2003), de Jules Spinatsch, feita de milhares de fotografias e três vídeos de vigilância, narra os preparativos para o Fórum Econômico Mundial de 2003, quando todo o vale de Davos foi temporariamente transformado em uma zona de alta segurança. Uma selecção de fotografias de Paul Graham, de seu livro de fotos A Shimmer of Possibility (2007), consistindo de haikais fílmicos sobre a vida cotidiana na América de hoje, conclui a exposição”, detalha o excelente texto de apresentação da mostra.
No dia da abertura, o MoMA lança um slideshow on-line dedicado às novas aquisições que integram a mostra.