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Para onde vão os/as trabalhadores/as? (2021), de Érica Ferrari , instalação específica para a exposição 'estamos aqui' do Ateliê 397/Sesc Pinheiros [Foto: Reprodução / site da artista]
Postado em 11/04/2023 - 12:46
Qual arte é política?
Últimas vagas para o curso organizado pela Ateliê 397, que começa hoje, 11/4, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, no centro de São Paulo

A dupla de palavras tem significados vazios no dia-a-dia das pautas ligadas à arte (tanto na esfera global, quanto local). Enquanto conceitos, nem arte, nem política têm sentido sem um recorte contextual. Como duplo, muito menos. Apesar de especulações e apontamentos sobre o que a arte pode afetar na política e vice-versa, a arapuca do simplismo segue armada em cima do muro. Mais um motivo para o debate ser aprofundado. Afinal, estamos todos neste barco. Alinhado à direção editorial da revista, o tema, que serviu de eixo para as quatro edições do último ano na seLecT_ceLesTe, será destrinchado em cinco encontros, a partir de hoje, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, em São Paulo.

Debruçados sobre a tensão do limite e encontro das duas áreas, os convidados debatem em duplas junto da equipe do Ateliê 397, que organiza o ciclo. No primeiro encontro, o filósofo e professor Vladimir Safatle, e a artista e professora Dora Longo Bahia, com mediação feita pela crítica e curadora Thais Rivitti, debatem as relações entre estética e política a partir da filosofia e da prática artística, como um panorama de discussões-chave para pensar a prática artístico-política hoje. No dia 2/5, Paula Alzugaray, diretora da seLecT_ceLesTe conversa com a jornalista Fabiana Morais sobre tema caro ao expediente da revista – a imprensa como território de combate.

“No ano passado, fizemos [Ateliê 397] três ciclos no Sesc. Os temas foram guiados pela exposição Estamos Aqui, bastante apoiada na noção de ocupação. O que a presença das subjetividades não-hegemônicas causa no meio artístico? A partir daí pensamos na formação desses sujeitos, como eles e seus trabalhos têm se inserido nas artes hoje, os trânsitos e a ocupação do meio. E também como são tratados por curadores, críticos e outros agentes do circuito.” Comenta Caio Bonifácio à seLecT_ceLesTe. O pesquisador, crítico e curador independente integra o grupo de organização do ciclo e das atividades do 397.

Projeto independente, existe há 20 anos em São Paulo. O Ateliê opera como espaço expositivo, de pesquisa e trabalho com arte. Sobre a motivação do ciclo, Bonifácio responde que “ao longo das reuniões de balanço do Ateliê no fim do ano passado, refletimos novamente sobre esses temas e sobre qual a atuação do 397, qual a sua atuação política, com qual política nos identificamos, qual arte reconhecemos como política e com que nos identificamos – e não chegamos em uma resposta. O ciclo surge daí. Quais pessoas no meio das artes estão pensando arte e política, ou a aproximação de arte e política?”

A escolha dos temas e convidados aponta igualmente uma discussão extensa e que está longe de ser esgotada, sobretudo em um curso de curta duração e em espaço financiado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Afinidade foi um critério importante. Em uma aula que vi esses dias da Helena Vieira sobre Donna Haraway, ela comenta sobre como a política de identidades é perigosa – o bolsonarismo, por exemplo, é pautado na identidade. É uma forma de relação muito frágil. Então, as pessoas convidadas e os temas trazidos vieram das afinidades com os interesses do 397. E também para pensar qual o lugar da teoria hoje, como arte e política se aproximam. Uma política da forma faz sentido hoje? Uma arte pode ser política sem ser ativista?”, questiona.

Serviço
Arte e Política, cenários de uma relação crítica, Centro de Pesquisa e Formação do Sesc
Curso presencial, terças, 16h às 18h
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar | Bela Vista – São Paulo.

Campo (loukánikos) (2022), de marinadasilvadasilva, na exposição No Terreno da Pintura, em 2022 no Ateliê 397 [Foto: Reprodução / IG]
"Quais pessoas no meio das artes estão pensando arte e política, ou a aproximação de arte e política?”