“O remix mudou a cultura popular. Gerou uma forma completamente nova de arranjo.”

O cantor, compositor, baixista, guitarrista e produtor musical Alexandre Kassin, 37 anos, é integrante da Orquestra Imperial e do grupo +2, este ao lado de Domenico Lancelotti e Moreno Veloso. Suas experimentações eletrônicas deram origem ao projeto Artificial, em que criou melodias a partir das batidas de um Game Boy.
No atual modelo da indústria fonográfica, quem é beneficiado e quem é prejudicado pela internet?
Todos se beneficiam da internet, qualquer meio de comunicação dessa dimensão é um grande incentivo à troca de informações e à cultura. Mudou o modelo de negócio e, como em todo processo de transição, existe um período de dúvida.
A indústria fonográfica tem alguma importância na difusão de sua música?
Quem vive de música vive da indústria, é uma ilusão achar que a falta de uma estrutura industrial é um benefício. O interessante do momento em que vivemos é a possibilidade de todos nós criarmos uma indústria forte e que não seja um filtro. Sou contra a ideia de extinção da indústria, acredito que a saída é haver tanto uma indústria fonográfica quanto cultural no Brasil. O modelo dessa indústria é o que deve ser discutido. Por isso sou a favor do direito do autor.
Se uma música sua for sampleada até ficar irreconhecível, você faria questão de receber direitos autorais?
Acho que os diretos autorais deveriam prever uma forma de remuneração para cada sample. Por exemplo, eu fiz uma canção, mas ela foi produzida por outra pessoa , gravada por um técnico e tocada por um baterista. Se um artista “X” sampleia o baterista e quiser pagar, o autor ganha. Mas o baterista, o técnico e o produtor não ganham. Por quê?
Qual é a importância do remix na história da música?
A importância é imensa.O remix mudou a cultura popular. Gerou uma forma completamente nova de arranjo.
O sampler e o computador podem ser considerados instrumentos?
Tudo que gera som eu considero instrumento musical.
Quem compra ou baixa um CD pirata seu merece ser punido?
Claro que não! Como em qualquer acordo, ninguém é culpado, somos todos parte. O governo poderia ajudar mais. Para fazer um CD somos taxados bem alto. Paralelamente existe o “incentivo”, impresas dedicam parte da sua tributação à cultura. Mas, quando eu vou trabalhar num disco incentivado, pago impostos. Qual é a ideia? Por que não é como o livro?
Leia a introdução do curto-circuito Remixália
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