A Galeria Jack Shainman tem a honra de anunciar a representação do Espólio de Emanoel Araújo e a próxima exposição da galeria, intitulada Emanoel Araújo. Esta não será apenas sua apresentação de estreia na Jack Shainman, mas também a primeira grande mostra monográfica de sua obra em Nova York desde os anos 1980. O artista, curador e colecionador brasileiro teve uma carreira que desafia categorizações; Araújo forjou plataformas pessoais e públicas para expressar as nuances da vida e da cultura afro-brasileira – repensando as estéticas modernas, criando espaço para artistas marginalizados exporem seus trabalhos, e preservando a história material de sua herança ancestral em uma época antes de vozes afro-brasileiras serem defendidas pelo público regional ou internacional.
Nascido em 1940 em Santo Amaro da Purificação, Bahia, em uma família modesta de ourives afro-brasileiros, a adolescência de Araújo orbitou a produção criativa – ao longo de sua juventude trabalhando tanto com o marceneiro e entalhador Eufrásio Vargas quanto como designer gráfico para a Imprensa Oficial de sua cidade natal. Após sua primeira exposição individual em Santo Amaro da Purificação, em 1959, matriculou-se na Escola de Belas Artes da Bahia, em Salvador. Ainda na graduação, estudou gravura – na linha de seus predecessores modernos e de seus contemporâneos Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape –, desenvolvendo uma prática orientada para a expressão comunitária e a abstração geométrica. Desde o início, Araújo se preocupou em trabalhar com mídias gráficas e tridimensionais, divergindo da apropriação da tradição colonial europeia da abstração – entendendo o modernismo nascido de um contexto singularmente brasileiro e a capacidade da abstração para inflamar o poder político e a transformação social.
O trabalho de Araújo funciona em múltiplos registros, mesclando a linguagem formal desenvolvida em seus estudos, o abraço sem remorso de sua identidade queer, negra e brasileira e as intrincadas ideologias de sua vida como curador e colecionador de arte e artefatos afro-brasileiros. Com figuras simplificadas, estruturas primárias e paletas de alto contraste, suas gravuras, relevos e esculturas são conjuntos de referências: um mosaico de sua criação na capital afro-brasileira, traumas herdados do comércio transatlântico de escravizados no Brasil, padrões têxteis nigerianos e beninenses e símbolos iorubás de orixás. Embutida em seu trabalho está uma crioulização [termo das ciências sociais equivalente, em inglês, ao de “mestiçagem cultural”], reunindo segmentos de obras anteriores e de objetos encontrados que cortam, interferem, refratam no plano da imagem – refletindo a grande dimensão das camadas sociais do Brasil; celebrando a vida cotidiana além dos epicentros internacionais do Rio de Janeiro [sic]; e desmantelando o racismo sistêmico a partir do ateliê e da instituição para promover, exibir e colecionar seu trabalho e o de seus colegas artistas afro-brasileiros.
No centro da carreira criativa e profissional de Araújo estava a ambição de desafiar a si mesmo e ao seu país para superar as adversidades e imaginar uma sociedade mais inclusiva através da arte, em vez de se contorcer ao mercado ou ao establishment. Ao longo de sua vida, suas realizações incluíram transformar a Pinacoteca de São Paulo em um museu de renome internacional, fundar a primeira instituição estabelecida por artistas no Brasil dedicada a promover o trabalho de artistas negros (Museu Afro Brasil), e acumular um arquivo de cerca de seis mil objetos e quatro mil documentos da diáspora afro-brasileira. Araújo era um visionário, afirmando corajosamente sua presença criativa de uma forma grandiosa, totêmica e vibrante; sua vida compreende um retrato de uma nação e geração, e as infinitas complexidades dentro delas.
Tradução do anúncio publicado no site da Galeria Jack Shainman no início de agosto